Agosto Lilás reúne instituições para fortalecer rede de proteção e apoio às mulheres em Santo Ângelo

O Plenário da Câmara de Vereadores de Santo Ângelo recebeu, na tarde de quarta-feira (19), um encontro dedicado à reflexão e ao enfrentamento da violência doméstica contra a mulher. Integrando a programação do Agosto Lilás, a atividade teve como tema “Violência Doméstica: Conversando com a Rede de Atendimento, Acolhimento e Proteção à Mulher” e reuniu representantes de diferentes instituições que atuam na prevenção, no atendimento e na proteção às mulheres em situação de violência.

O encontro teve como painelista a defensora pública Dra. Andreia Gasparini, que destacou a importância da atuação conjunta das instituições para garantir às mulheres acesso à informação, à Justiça e aos mecanismos de proteção previstos em lei.

“A rede de atendimento é fundamental para que a mulher não se sinta sozinha diante da violência. Quando diferentes instituições trabalham de forma articulada, conseguimos ampliar a proteção e garantir que ela conheça e tenha acesso aos seus direitos”, destacou Andreia.

Representando a Patrulha Maria da Penha, a soldado Grazieli falou sobre o trabalho desenvolvido pela equipe no atendimento às mulheres e sobre a importância do acompanhamento realizado nos casos de violência doméstica. Ela explicou que a atuação da Patrulha vai além do atendimento de uma ocorrência, envolvendo também orientação, acompanhamento e atenção às mulheres que possuem medidas protetivas.

“Nosso trabalho é estar próximo dessas mulheres, acompanhar cada situação e oferecer segurança para que elas saibam que não estão sozinhas. A Patrulha Maria da Penha atua justamente para fortalecer essa proteção e ajudar a romper o ciclo da violência”, ressaltou Grazieli.

Durante sua participação, a soldado também lembrou a história de Jane da Luz, mulher vítima de feminicídio, assassinada pelo ex-companheiro e que deu origem ao nome do Centro de Referência de Atendimento à Mulher de Santo Ângelo, o CRAM Jane da Luz. A lembrança reforçou a importância de manter viva a memória das vítimas e de fortalecer políticas e serviços capazes de prevenir novos casos de violência.

Representando o CRAM Jane da Luz, a diretora Rose Grás ressaltou a importância do serviço no acolhimento às mulheres e destacou que o enfrentamento à violência exige uma rede preparada para receber, orientar e acompanhar cada situação.

“O CRAM é um espaço de acolhimento, escuta e proteção. Muitas vezes, a mulher chega até nós depois de viver situações muito difíceis, e nosso papel é recebê-la com respeito, ajudá-la a compreender seus direitos e mostrar que existem caminhos para sair da situação de violência”, afirmou Rose.

A atividade foi uma promoção da Procuradoria da Mulher da Câmara de Vereadores de Santo Ângelo, em parceria com o Rotary Clube de Santo Ângelo Sepé Tiaraju, e contou com a mediação da vereadora Simone Lunkes, psicóloga e procuradora da Mulher, responsável e uma das organizadoras do evento. Simone chamou atenção para a dimensão da violência contra as mulheres no país e para a necessidade de que a sociedade não naturalize agressões físicas, psicológicas, patrimoniais, morais ou sexuais.

“Quando falamos em violência contra a mulher, estamos falando de uma realidade que ainda atinge milhares de mulheres e que precisa ser enfrentada todos os dias. A informação, o acolhimento e uma rede de proteção articulada podem fazer a diferença para que uma mulher consiga romper com o ciclo da violência”, afirmou Simone.

A vereadora também reforçou que a Procuradoria da Mulher tem entre suas atribuições contribuir para a divulgação dos direitos das mulheres e aproximar a população dos serviços que podem oferecer orientação e atendimento.

Ao longo do encontro, ficou evidente que o enfrentamento à violência doméstica não depende de uma única instituição. Defensoria Pública, Patrulha Maria da Penha, CRAM, Poder Legislativo e demais integrantes da rede precisam atuar de maneira articulada para que a mulher encontre acolhimento e consiga acessar os mecanismos de proteção disponíveis.

A programação também chamou a atenção para a importância de informar a comunidade sobre os caminhos existentes para buscar ajuda. Medo, ameaças, dependência financeira e emocional e falta de conhecimento sobre os próprios direitos são alguns dos fatores que podem dificultar o rompimento de situações de violência.

Entrada solidária

Além da participação no debate, o público foi convidado a colaborar com uma ação solidária. A entrada do evento foi feita mediante a doação de itens de higiene pessoal, que serão destinados ao CRAM Jane da Luz para auxiliar mulheres atendidas pelo serviço.

A iniciativa reforçou o caráter comunitário da programação e a importância da participação da sociedade na construção de uma rede de apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade.

A presidente do Rotary Clube de Santo Ângelo Sepé Tiaraju, Camila Moraes, destacou a importância da parceria com o Legislativo para a realização da atividade e para o fortalecimento de ações voltadas à comunidade.

“Para o Rotary, é muito importante poder somar forças com a Câmara de Vereadores em uma pauta tão necessária. Essa parceria permite levar informação à comunidade, fortalecer a rede de proteção e contribuir para que mais mulheres conheçam os serviços que estão à sua disposição”, destacou Camila.

Mais do que marcar o Agosto Lilás, o encontro serviu para aproximar a comunidade das instituições que integram a rede de atendimento e proteção às mulheres. A mensagem deixada durante a programação foi de que combater a violência doméstica exige informação, acolhimento, atuação conjunta e compromisso permanente de toda a sociedade.